Advogado de Adriano Nóbrega afirma que cliente morreu como 'queima de arquivo'

vemvercidade 09 Fev, 2020 13:36 - Atualizado em 09 Fev, 2020 13:40

Paulo Emílio Catta Preta, que atuava na defesa do ex-capitão do Bope Adriano Nóbrega, disse que vai pedir apuração rigorosa da operação na Bahia que terminou com a morte de seu cliente. As informações são do Extra, do Rio de Janeiro.

Nóbrega estava foragido há um ano e, segundo o advogado, telefonou para ele na última terça-feira. Catta Preta atua na defesa desde meados do ano passado e disse que nunca tinha tido contato direto com o cliente, apenas por meio de familiares. A ligação foi a primeira vez que os dois conversaram diretamente. O advogado disse que tentou convencer seu cliente a se entregar, mas Nóbrega refutou dizendo que seria assassinado e estava receoso.

— Ele me disse assim: 'doutor, ninguém está aqui para me prender. Eles querem me matar. Se me prenderem, vão matar na prisão. Tenho certeza que vão me matar por queima de arquivo'. Palavras dele — afirmou Catta Preta.

Questionado sobre o motivo para queima de arquivo, o advogado disse que o cliente não mencionou.

— Eu o aconselhei a se apresentar, pois temia que algo pior acontecesse. Ele não me disse o porquê achava que iria morrer. Acho que ele já suspeitava que seria morto por queima de arquivo.

O advogado disse ainda que falou na manhã deste domingo com a mulher do militar, Júlia Mello, e ela negou que ele estivesse armado.

— Nem o pior criminoso merece ser sumariamente executado. Se ele era uma máquina de guerra, como dizem, por que ninguém saiu ferido nessa operação? — questiona o advogado, que afirma: — Então vamos pedir uma apuração rigorosada operação. Vai ser meu último ato de defesa.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia e a Polícia Civil do Rio, Nóbrega morreu na manhã deste domingo após trocar tiros com policiais durante uma operação para prendê-lo em Esplanada, cidade baiana.

As investigações sobre a ligação com Marielle e Flávio Bolsonaro

Nóbrega é ex-capitão do Bope e um dos criminosos mais procurados do Rio, e estava foragido desde a Operação Intocáveis, que prendeu vários membros da quadrilha no início do ano passado.

Ele era acusado de ser o chefe de um grupo criminoso formado por matadores de aluguel, que ficou conhecido como Escritório do Crime — investigado por suspeita de envolvimento nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes.

A família dele também foi acusada pelo MP de participar de um suposto esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, na Alerj. Segundo o pedido de busca e apreensão feito pelos promotores, ex-mulher e mãe de Nóbrega teriam transferido R$ 203 mil para Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do presidente.