Família acusa hospital pela morte de bebê aos 9 meses de gestação

vemvercidade 17 Nov, 2017 15:48 - Atualizado em 17 Nov, 2017 15:50 Do Correio*

Aos 38 anos, a dona de casa Ana Cristina Santana esperava ser mãe pela primeira vez. O sonho, no entanto, foi interrompido aos nove meses de gestação. O parto da bebê, segundo Ana, demorou de ser feito e, por conta disso, a criança foi à óbito, quando ainda estava na barriga.  A doméstica acusa o Hospital Sagrada Família, no Bonfim, de ter negligenciado o atendimento. O caso ocorreu na semana passada e, agora, está sendo investigado pela 3ª Delegacia (Bonfim).

Moradora do bairro do Uruguai, Ana procurou a unidade de saúde há meses para realizar acompanhamento médico. Lá, a dona de casa contou que fez o pré-natal e sempre escutou que seu bebê “estava dez” e que a gestação “estava tranquila”. Ela estava com 41 semanas quando começou a sentir as primeiras contrações. “Comecei a sentir as primeiras dores na terça-feira (7) e também comecei a perder líquido”, conta.

No mesmo dia, a mãe da bebê, que se chamaria Isabela, foi com a família para a hospital. No local, foi orientada por uma médica a retornar para casa, pois, segundo a profissional, ainda não era o momento. “A médica fez o exame e disse que eu poderia retornar pela tarde ou no dia seguinte, porque eu ainda não estava em processo de parto”, diz a doméstica.

Embora relatasse estar com dores e sangramento, Ana retornou à sua casa. Já na quarta-feira (8), com dores ainda mais intensas, ela voltou à unidade de saúde e não foi internada. Recebeu de um médico um manual com um passo a passo para que ela identificasse o momento exato e retornasse. “Eu falei pra ele que tinha alguma coisa estranha com minha filha, porque ela estava agitada, mas ele disse que eu tinha que esperar até o sábado”, disse ela.

A dona de casa ainda afirma que se assustou com a atitude do médico. De acordo com ela, o profissional chegou a dizer que, se estivesse no plantão do dia seguinte, não iria atendê-la, porque ela ainda não estava pronta para parir. Na quinta-feira (9), ao notar que o bebê já não mais se mexia, foi à maternidade do Pau Miúdo, onde foi atendida e constataram a morte da menina. Ana foi transferida, então, para o Sagrada Família, para realizar o parto.

A menina estava totalmente formada, com 55 centímetros e com 3,3 quilos, peso considerado ideal para a idade. “Só pude pegar minha filha no colo uma vez. A médica, que fez o parto, disse que ela ia ser Deus, e que eu poderia ter outro. Mas eu queria Isabela, eu planejei ela pra mim”, lamenta a mãe.

O CORREIO consultou a médica obstetra Ana Araújo, que não acompanhou o caso da paciente, mas falou sobre os períodos de gestação de uma mulher. Segundo ela, o período ideal para que um parto aconteça é quando a gestante está com 40 semanas.

“A gente não costuma passar de 42 semanas. Se eu recebo uma paciente com 41 semanas, mando ela procurar a maternidade para saber se está tudo bem com ela e com o bebê. A gente pode, inclusive, fazer uma cesariana. A gestação pode chegar a 42 semanas desde que a paciente esteja sendo acompanhada”, afirma a profissional. Sobre os riscos de uma gravidez aos 38 anos, ela diz que pode haver a má-formação do bebê. “A mulher mais velha tem que fazer um pré-natal bem feito, como todas as outras”, completou.

O tio de Isabela, Gilmar Santana, afirma que o Hospital Sagrada Família não queria encaminhar o corpo da bebê para o IML. Ele foi, então, prestar queixa na 3ª Delegacia (Bonfim). O corpo foi encaminhado ao IML, e o laudo indicou que a morte ocorreu por falta de oxigenação. Agora, a família busca responsabilizar o hospital pela morte de Isabela. A família solicitou dois prontuários, que devem ficar pronto em 30 dias. O enterro pôde ser realizado nesta quinta-feira, no Cemitério Quinta dos Lázaros.

Sindicância

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia  (Cremeb) informou que a família chegou a ir ao local para buscar informações, mas não registrou a denúncia. O corregedor e conselheiro do Cremeb, José Aberlado de Meneses, informou que, se o caso for registrado, o órgão vai instaurar uma sindicância para levantar dados, provas e testemunhas sobre o ocorrido.

Ainda de acordo com Meneses, se for comprovada a negligência, os médicos envolvidos no procedimento podem receber advertências confidenciais, censura pública, suspensão do exercício profissional por 30 dias ou cassação. 

Protocolo

Em nota, a unidade informou que não comentará sobre o caso por impedimentos éticos e legais. A unidade também negou ter havido negligência por parte de sua equipe e assegura que prestou toda assistência à referida paciente e sua família, conforme diretrizes e protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

A unidade de saúde diz ainda que não foi registrada nenhuma ocorrência na Ouvidoria da instituição e que segue disponível para os pacientes que desejam obter esclarecimentos a respeito das condutas.




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