Saiba quem é a gigante chinesa que assumiu a mineração de ouro em Santaluz

vemvercidade 26 Jan, 2026 13:34 - Atualizado em 26 Jan, 2026 13:50

A cidade de Santaluz, na região sisaleira da Bahia, passou a abrigar uma operação estratégica de uma das maiores mineradoras do planeta. A multinacional CMOC (China Molybdenum Co.) assumiu oficialmente, na última sexta-feira (23), as operações da unidade de mineração antes controlada pela canadense Equinox Gold.

Com o novo comando, os ativos passam a operar sob a marca da companhia asiática, integrando o chamado Complexo Bahia, que inclui as minas de Fazenda Brasileiro e Santaluz. A aquisição, anunciada em dezembro de 2025, foi concluída neste mês após aprovação dos órgãos reguladores.


Quem é a CMOC: a nova gigante do ouro no Brasil

Foto: CMOC

Fundada em 1969, a CMOC é uma das 20 maiores empresas de mineração do mundo. Sediada na China, a companhia tem ações negociadas nas bolsas de Xangai e Hong Kong e atua em mais de 30 países, com cerca de 30 mil funcionários.

A empresa é líder global na produção de metais estratégicos como cobalto, cobre, molibdênio e tungstênio. No Brasil, também se destaca como segunda maior produtora mundial de nióbio e uma das principais fabricantes de fertilizantes fosfatados.

A entrada oficial no setor de ouro brasileiro representa uma expansão significativa do seu portfólio global.


O que muda com a chegada da multinacional a Santaluz

Com a operação baiana, a CMOC incorpora ao seu portfólio três ativos de ouro no país:

  • Aurizona, no Maranhão

  • Complexo Bahia (Santaluz e Barrocas)

  • Riacho dos Machados, em Minas Gerais

Segundo dados da própria empresa, esses ativos somam 5,013 milhões de onças de ouro em recursos e 3,873 milhões de onças em reservas. Em 2024, as unidades brasileiras produziram 247,3 mil onças de ouro.

A mineração de ouro em Santaluz é uma das principais fontes de geração de empregos e arrecadação municipal, com impacto direto no desenvolvimento regional. A expectativa local agora gira em torno de novos investimentos, modernização das operações e possíveis impactos sociais e ambientais.


Presença consolidada no Brasil

A CMOC opera no Brasil desde 2016. Seus principais empreendimentos estão localizados em:

  • Catalão e Ouvidor (GO) – unidades de nióbio e fosfato

  • Cubatão (SP) – operação química e de fertilizantes

Em 2025, a multinacional registrou receita superior a R$ 5,6 bilhões no país, com a geração de cerca de 6 mil empregos diretos e mais de 60 mil indiretos.

Com a incorporação das operações de ouro, a companhia afirma que pretende fortalecer sua estratégia de crescimento sustentável e contribuir para o desenvolvimento regional nas áreas em que atua, como o território sisaleiro.


Um dos maiores grupos de mineração do mundo

Foto: CMOC

Além do protagonismo na produção de metais estratégicos, a CMOC se posiciona como uma das maiores traders de metais básicos e preciosos do mundo.

Em 2024, a empresa ocupou posições de destaque em rankings globais:

  • 145ª no Fortune 500 China

  • 621ª no Forbes Global 2000

  • 19ª entre as 50 maiores mineradoras globais

A companhia é signatária do Pacto Global da ONU desde 2022 e segue os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em seus relatórios institucionais, defende uma mineração responsável, com foco em governança, meio ambiente e desenvolvimento social.


Expectativas para a região sisaleira

Com a chegada da CMOC, a região de Santaluz passa a fazer parte de um ecossistema global de mineração. A movimentação deve trazer impactos diretos para a economia local, mas também levanta questionamentos sobre a continuidade das operações, critérios ambientais e benefícios sociais.

Até o momento, a companhia não detalhou investimentos futuros ou mudanças estruturais, mas sinalizou que pretende integrar as unidades brasileiras em sua estratégia global de crescimento sustentável.